“Não é privilégio, é justiça social”, declara Linda Brasil sobre aprovação de cotas trans na UFS

Nesta terça-feira, 18, durante expediente na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), a deputada estadual Linda Brasil (PSOL) celebrou a aprovação de cotas para pessoas transexuais na Universidade Federal de Sergipe (UFS), em todos os cursos de graduação da instituição, feito pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe). A parlamentar classificou a decisão como uma “vitória histórica” para Sergipe e para a democratização do ensino superior. 

Para Linda, a medida é resultado da luta dos movimentos sociais, da comunidade acadêmica e do mandato que ela ocupa. “Esta conquista é fruto da mobilização da frente por cotas trans e travestis na UFS, dos movimentos sociais, da comunidade acadêmica e também do trabalho do nosso mandato, que acompanha esse processo há anos”, declarou.

A deputada relembrou sua participação, em 2013, na aprovação do uso do nome social nos cadastros da UFS. “Eu sei o quanto são potentes essas portarias que garantem o acesso de pessoas historicamente vulnerabilizadas. Menos de 0,3% da população trans-travesti chega ao ensino superior”, pontuou.

A parlamentar reforçou que ações afirmativas são ferramentas fundamentais para a inserção da população transexual na sociedade, visto que a expectativa de vida delas é de apenas 35 anos e quase 90% das mulheres trans e travestis são vítimas da prostituição. “Cotas não são privilégios, são medidas de justiça social, de reparação histórica e de emancipação. Garantir acesso à universidade é garantir vida”, ressaltou.

Ela também comemorou o avanço representado pela aprovação na UFS e manifestou otimismo quanto aos impactos futuros. “Quando entrei em 2013, eu fui a primeira mulher trans da universidade; quando me formei em 2017, já havia mais de quarenta estudantes trans. Tenho certeza de que essa aprovação vai permitir que ainda mais pessoas ocupem a universidade e outros espaços da nossa sociedade”, concluiu.

Foto: Jadilson Simões