Enquanto posa de defensor do futebol sergipano e da Associação Olímpica de Itabaiana, o ex-prefeito de Frei Paulo, Anderson de Zé das Canas (PSB), parece esquecer, ou fingir esquecer, o próprio passado recente.
Em nota publicada nas redes sociais, Anderson afirmou não poder “ficar em silêncio” diante do impedimento do Itabaiana de utilizar o Estádio Etelvino Mendonça para treinos, classificando a situação como uma agressão à história, à identidade e ao orgulho da cidade. O discurso é forte, emotivo e calculado para gerar repercussão. O problema é que ele não se sustenta quando confrontado com os fatos.
Enquanto critica a situação do Mendonção, Anderson não fez o dever de casa quando teve poder e responsabilidade administrativa. Em Frei Paulo, durante sua gestão, o Estádio Municipal Jairton Menezes de Mendonça, o conhecido “Titão”, foi deixado ao abandono. As imagens que circulam hoje mostram uma realidade chocante: arquibancadas deterioradas, estruturas comprometidas, mato tomando conta do espaço. Um cenário que mais lembra cenas de filme de terror do que um equipamento esportivo público.
Além do abandono do estádio, Frei Paulo também perdeu sua principal representação no futebol profissional. A Associação Desportiva Freipaulistano, que já levou o nome do município a competições estaduais e nacionais, simplesmente deixou de existir. O futebol local foi desmontado, sem planejamento e sem explicações convincentes à população.
Diante desse histórico, a indignação atual soa contraditória e oportunista. Defender a história, a identidade e o orgulho de uma cidade exige mais do que palavras bem colocadas nas redes sociais. Exige responsabilidade, gestão e compromisso, exatamente o que faltou quando Anderson teve a chance de cuidar do esporte em seu próprio município.
A defesa do futebol não pode ser seletiva. Quem realmente se preocupa com estádios e clubes deixa legado, não ruínas. E, antes de criticar o problema alheio, é preciso, sobretudo, fazer o dever de casa.
Foto: reprodução/redes sociais