De atraso a fornecedores a demissão em massa: Lagarto vive crise administrativa e financeira sem precedentes

A crise financeira da Prefeitura de Lagarto ganha novos capítulos e já começa a refletir diretamente na prestação dos serviços públicos e na vida de centenas de trabalhadores. Após meses de reclamações sobre atrasos de pagamentos a fornecedores e prestadores de serviços, a administração municipal promoveu uma ampla exoneração de servidores contratados, atingindo principalmente profissionais ligados à rede municipal de ensino.

Segundo informações obtidas pela reportagem, foram exonerados agentes de apoio operacional, monitores e vigilantes que atuavam nas escolas do município. A medida pegou muitos trabalhadores de surpresa e aumentou a preocupação sobre os impactos no funcionamento das unidades educacionais.

A situação ocorre em um momento em que a saúde financeira da gestão municipal tem sido alvo de questionamentos. Ainda no primeiro semestre, o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe emitiu medida cautelar suspendendo contratações milionárias para o Festival da Mandioca, diante das preocupações com a realidade fiscal do município. A decisão impediu a contratação de atrações com cachês acima do limite fixado pelo órgão de controle, frustrando a realização do evento nos moldes inicialmente planejados. (TCE-SE⁠)

Nos bastidores da administração, relatos sobre atrasos de pagamentos a fornecedores vêm se acumulando desde junho. Empresários e prestadores de serviços que mantêm contratos com o município reclamam da demora para receber pelos serviços executados, situação que teria se agravado nos últimos meses.

Agora, a crise parece ter chegado ao funcionalismo. A exoneração em massa de trabalhadores da educação é vista por muitos como uma tentativa da gestão de reduzir despesas diante do aperto financeiro enfrentado pelo município.

A preocupação aumenta porque os cargos atingidos desempenham funções essenciais no dia a dia das escolas. Monitores auxiliam alunos e professores, vigilantes garantem a segurança das unidades e agentes de apoio operacional são responsáveis por atividades fundamentais para o funcionamento da rede.

Enquanto fornecedores aguardam pagamentos e centenas de trabalhadores perdem seus empregos, cresce a cobrança para que a Prefeitura de Lagarto apresente explicações claras sobre a real situação financeira do município.

A soma de atrasos, contenção de despesas, intervenção do Tribunal de Contas e demissões em larga escala fortalece a percepção de que Lagarto atravessa uma das mais delicadas crises administrativas dos últimos anos, levantando dúvidas sobre a capacidade da gestão de manter serviços essenciais e honrar seus compromissos financeiros.

Foto: redes sociais